domingo, 17 de outubro de 2010

Somewhere


Em “Somewhere” Sofia Coppola volta à temática de seu filme “Encontros e Desencontros”: o cotidiano de um ator solitário que vive em hotéis.

O ator dessa vez é Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff. Famoso ator de filmes de ação, Johnny vive em um hotel em Los Angeles e tem uma filha de 12 anos, interpretada por Elle Fanning (sim, irmã de Dakota). Quando sua ex-mulher decide viajar por uns tempos, sua filha se muda para o hotel do pai, que aos poucos muda seus hábitos inadequados para a menina (como as hilárias strippers gêmeas da excelente primeira cena). Se aproximando da filha, Johnny muda completamente sua fisonomia ao longo do filme, do calado bon vivant ao divertido pai responsável. Seu medo da solidão se confirma quando o fim se aproxima, mais precisamente na excelente última cena, que, para evitar ainda mais spoilers, não contarei.

Sofia, ao apostar em um tema já abordado por ela antes, acerta mais uma vez, nesse filme que mostra a solidão e as transformações pelas quais uma pessoa passa a não ser mais sozinha.

Nota: 9,0

Dois Irmãos


“Dois Irmãos” é um filme argentino que assisti no Festival do Rio 2010. Como todos os filmes argentinos que tinha visto no Festival tinham me encantado, esperava desse filme uma sensação semelhante. Fui surpreendido por algo muito maior.

A história se passa em Buenos Aires e em uma cidadezinha do Uruguai. Marcos, de aproximadamente 70 anos, cuida de sua mãe e releva a indiferença de sua irmã Susana com a mesma. Quando a mãe dos dois morre, Susana convence Marcos a vender sua casa e ir morar em uma casa menor, no interior do Uruguai, alegando que assim ele teria tranquilidade para exercer seu hobby de artesão e para ter uma velhice mais tranquila. Marcos aceita e se muda.

Susana, enquanto isso, em Buenos Aires, vive de empreendimentos fracassados, como um restaurante clandestino caseiro cuja única cozinheira se irrita e se demite. Sozinha, Susana passa a convidar Marcos constantemente para que ele a visite. Marcos, porém, se adapta à pequena cidade e passa a frequentar aulas de teatro. Mesmo assim, faz visitas à Susana e, no clímax do filme, se irrita e retorna ao Uruguai. O enredo do filme, entretanto, não é, nem de longe, o destaque (e por isso não me preocupo em avisar sobre spoilers aqui).

As atuações se destacam maravilhosamente. Antonio Gasalla e Graciela Borges se entregam aos personagens e demonstram perfeitamente a maneira com que eles lidam com a solidão. Nesse ponto o cinema argentino vence o brasileiro: direção de atores. Temos atores brasileiros bons? Sim, mas muitos não são bem explorados e acabam fazendo caricaturas, algo inexistente nos filmes argentinos que assisti.

“Dois Irmãos” diverte, encanta e emociona de uma maneira que só, por enquanto, nossos hermanos sabem fazer.

Nota: 10.

As Melhores Coisas do Mundo



Laís Bodanzky, diretora de "Bicho de Sete Cabeças" e "Chega de Saudade", dessa vez aborda um tema adolescente. Mano, um estudante de 15 anos morador da cidade de São Paulo, é o protagonista. O filme gira em torno de acontecimentos que ameaçam sua reputação e a de Carol, sua melhor amiga.  Nas cenas iniciais, Mano descobre que os pais vão se separar e, mais tarde, ao jantar com seu pai e seu irmão (o péssimo Fiuk), descobre que o pai está namorando um homem. A partir dali, tenta ao máximo esconder isso de todos, enquanto se questiona sobre o fato. Ao mesmo tempo, Carol se sente atraída por um professor (Caio Blat) e o beija.

A partir do momento em que toda a escola descobre os dois acontecimentos, Mano e Carol, por não guardarem segredos, acusam um ao outro de ter espalhado as histórias.

É impossível não relacionar o filme com a série Malhação. A produção é melhor, assim como as atuações. Mas o enredo se assemelha a algo que esperaríamos ver na série. A escolha de elenco foi muito ruim, com Fiuk como um depressivo ator amador (grande ironia), Paulo Vilhena como um caricato professor de violão e Caio Blat muito mal explorado. Destaco Francisco Miguez (Mano) e a excelente Denise Fraga, como filho e mãe que, entre outras cenas, mostram muita sintonia em uma em que atiram ovos contra uma parede após uma crise emocional.

Apesar da minha decepção, salvam alguns recursos de edição, como a cena em que Carol pressiona um colega para que ele dissesse um nome. Boa direção na cena em que Mano sai do colegio sob olhares e apanha em frente a escola. Fora isso, em geral, nao me agradou. Me senti vendo uma versão paulista de Malhação para o cinema.

Nota: 5.