domingo, 17 de outubro de 2010

Dois Irmãos


“Dois Irmãos” é um filme argentino que assisti no Festival do Rio 2010. Como todos os filmes argentinos que tinha visto no Festival tinham me encantado, esperava desse filme uma sensação semelhante. Fui surpreendido por algo muito maior.

A história se passa em Buenos Aires e em uma cidadezinha do Uruguai. Marcos, de aproximadamente 70 anos, cuida de sua mãe e releva a indiferença de sua irmã Susana com a mesma. Quando a mãe dos dois morre, Susana convence Marcos a vender sua casa e ir morar em uma casa menor, no interior do Uruguai, alegando que assim ele teria tranquilidade para exercer seu hobby de artesão e para ter uma velhice mais tranquila. Marcos aceita e se muda.

Susana, enquanto isso, em Buenos Aires, vive de empreendimentos fracassados, como um restaurante clandestino caseiro cuja única cozinheira se irrita e se demite. Sozinha, Susana passa a convidar Marcos constantemente para que ele a visite. Marcos, porém, se adapta à pequena cidade e passa a frequentar aulas de teatro. Mesmo assim, faz visitas à Susana e, no clímax do filme, se irrita e retorna ao Uruguai. O enredo do filme, entretanto, não é, nem de longe, o destaque (e por isso não me preocupo em avisar sobre spoilers aqui).

As atuações se destacam maravilhosamente. Antonio Gasalla e Graciela Borges se entregam aos personagens e demonstram perfeitamente a maneira com que eles lidam com a solidão. Nesse ponto o cinema argentino vence o brasileiro: direção de atores. Temos atores brasileiros bons? Sim, mas muitos não são bem explorados e acabam fazendo caricaturas, algo inexistente nos filmes argentinos que assisti.

“Dois Irmãos” diverte, encanta e emociona de uma maneira que só, por enquanto, nossos hermanos sabem fazer.

Nota: 10.

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